Angola tem, mais uma vez, a oportunidade de refazer o seu futuro, iniciando um novo ciclo económico, neste caso de crescimento mais moderado, porém sustentável e desapegado das receitas petrolíferas que, devido à baixa do preço do petróleo no mercado interncional, passaram de esperança para o pesadelo do país. Segundo analistas, nos próximos anos, considerando que o valor desta commodity se mantenha nos níveis actuais de cerca de 50 USD por barril pelo menos até 2021, permanecerão as “dúvidas” de crescimento com base no petróleo. Assim sendo, defendem, deve-se racionalizar ainda mais os recursos disponíveis, reforçando o investimento no sector produtivo, assim como se deve criar um melhor ambiente de negócios que seja capaz de atrair mais Investimento Directo Estrangeiro (IDE). 
O Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola considera, na apresentação do seu último relatório económico, que pode estar a acontecer o fim do ciclo do petróleo no país, porém “sem modelos de crescimento alternativos a curto prazo”. Para a instituição académica, “Angola encontra-se, mais uma vez, numa encruzilhada tremenda”, porém, infelizmente, “a viragem da presente situação financeira e económica do país – grave, séria, de fundamentos ainda não totalmente explicados por quem politicamente o devia fazer – já não depende de nós”, “mas da conjuntura internacional do preço do petróleo e da capacidade contratação de empréstimos externos para financiar os avultados e crescentes défices orçamentais, financeiros e económicos”.
Considerando esses contrangimentos, o CEIC, que define a diversificação económica como um “processo demorado e exigente em disponibilidades financeiras (internas e externas), capital humano, capital social”, alerta que o fim do ciclo do petróleo e a “viragem estratégica num ambiente social muito difícil, muito provavelmente” só poderá acontecer em 2020, tendo em conta que “a degradação das condições de vida da grande maioria da população é evidente, pois a situação financeira é de carência de recursos, a económica é de aumento de desemprego e retraçcão do crescimento da produção e inexistem mecanismos de mitigação social dos efeitos da crise”.



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