Economia e Mercado

Tudo sobre o mundo dos negócios em Angola.

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  • REFORMA EDUCATIVA - QUALIDADE DE ENSINO NÃO FAZ SORRIR

    EDIÇÃO Nº 148

    REFORMA EDUCATIVA - QUALIDADE DE ENSINO NÃO FAZ SORRIR


    A Segunda Reforma Educativa do sistema de ensino em Angola, iniciada em 2004, teve quatros objectivos gerais, nomeadamente, a expansão da rede escolar; a melhoria da qualidade de ensino; o reforço da eficácia do sistema de educação e a equidade do sistema de educação, que foram alcançados “satisfatoriamente”, segundo o ministro da Educação, que é contrariado por técnicos e gestores ligados ao sector, segundo os quais o maior avanço ocorreu apenas ao nível do aumento da oferta de salas de aula. Mas Pinda Simão também reconhece que, em relação à qualidade de ensino, ainda há muito por se trabalhar, pois esta vai além dos números. Entretanto, os números, quando se trata de investimento e alocação orçamental para a educação, não deixam de ser fundamentais. Aliás, o desafio é que eles cresçam e permitam a execução dos principais programas do sector, que nos últimos dois anos sofreram um corte de 35%.

    • UMA SOLUÇÃO PARA OS PROBLEMAS DO SISTEMA FINANCEIRO
      A governança corporativa pretende assegurar que as empresas apresentem melhor performance, melhor controlo e protecção dos investidores. Em Angola, esta prática requer novas estruturas e atitudes. Faltam normas e vontade política, mas algumas empresas já têm dado passos na matéria.
    • ACELERAR SOBRE DUAS RODAS PARA NÃO PASSAR FOME
      A escassez de transportes públicos levou a que algumas zonas urbanas da cidade capital também fossem “invadidas” pelos moto-táxis, vulgo kupapatas, termo oriundo da língua Umbundu que em português significa “apalpar”. A actividade de moto-táxi terá surgido no país há mais de duas décadas (em 1991) na província de Benguela, logo após a desmobilização das tropas angolanas, em cumprimento dos Acordos de Paz de Bicesse.
       
    • TUDO EM NOME DO ACORDO DA OPEP
      A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ressuscitou, no início de Dezembro, os limites de produção do cartel. A medida tem como objectivo restringir a oferta da commodity e estimular um aumento nos preços, algo necessário tanto para o reequilíbrio orçamental dos países do grupo, quanto para a recuperação da indústria de energia, que reduziu investimentos após a queda no preço dos barris.
  • PRODUÇÃO DE MADEIRA - TRANSFORMAR PARA EXPORTAR COM VALOR

    EDIÇÃO Nº 153

    PRODUÇÃO DE MADEIRA - TRANSFORMAR PARA EXPORTAR COM VALOR

    O sector florestal, particularmente a produção de madeira, foi eleito como uma das fontes de captação de divisas, no âmbito da diversificação economia e das fontes de tributárias do Estado. Entretanto, ao mesmo tempo que enfrenta o desafio de garantir uma gestão sustentável dos recursos, Angola também precisa de, urgentemente, dinamizar a indústria transformadora, na medida em que o país perde divisas ao exportar produtos não transformados, aos quais não é agregado nenhum tipo de valor. Este, de resto, é um cenário que se verifica no sector produtivo angolano. Aliás, o país produz petróleo, porém não dispõe de refinarias suficientes para a sua transformação.

    • Devastação florestal e saque da madeira angolanaAngola está a sofrer “um corte anárquico e insustentável” das suas riquezas vegetais, incluindo espécies nobres – uma devastação que ocorria de forma camuflada, mas que a partir de 2016 passou a fazer-se às claras, sem qualquer ganho para a economia do país e sem replantação, em prejuízo da flora e da fauna. Vladimir Russo, líder da ambientalista Fundação Kissama, e outros cidadãos preocupados pronunciam-se sobre o assunto. 
    • Produção de madeira - Investigação e reflorestamento antes dos lucrosA empresa Estrela da Floresta é, desde há um ano, responsável pela gestão da exploração florestal no Planalto Central, após ter assinado com o Governo um contrato de concessão de terras a longo termo para desenvolver uma grande plantação de madeira numa área com mais de 80 mil hectares nas províncias de Benguela, Huambo, Huíla e Bié. Neste momento, a empresa está focada no relançamento de uma indústria de florestas sustentável em Angola, criadora de novas oportunidades de negócios e de empregabilidade. 
    • Produção da Madeira Entrevista - Tomás Caetano, director do Instituto Nacional de Desenvolvimento Florestal “Existe um grande défice de indústrias de transformação”

      A madeira foi eleita como um produto de exportação e captação de divisas para a economia angolana, no âmbito da diversificação das fontes de receita do país, um processo que iniciou depois de despoletar a baixa do preço no petróleo no mercado internacional. Entretanto, apesar da vasta área de floresta explorável, estimada, actualmente, em mais de 60 milhões de hectares, a participação do sector PIB a angolano ainda é insignificante, não só devido à baixa produção, mas sobretudo devido ao défice de uma indústria transformadora, afirmou o director do Instituto Nacional de Desenvolvimento Florestal, Tomás Caetano. “O país pode ser auto-suficiente em termos de produção de madeira, mas existe um grande défice de indústrias de transformação”, disse, acrescentando que “é necessário que se invista no processo de semi-transformação e na transformação”.

  • FINANCIAMENTO À ECONOMIA - UMA VERDADE IMPERFEITA

    EDIÇÃO Nº 154

    FINANCIAMENTO À ECONOMIA - UMA VERDADE IMPERFEITA

    O crédito à economia é um assunto da actualidade, por ser catalisador do desenvolvimento socioeconómico e motor da sociedade: estimula o consumo e ao mesmo tempo impulsiona o investimento. O crédito mais não é do que uma modalidade de empréstimo de dinheiro. Trata-se de um produto financeiro de cedência de capital a empresas ou a particulares, assente na confiança mútua e com o qual se financia igualmente a economia.
    Trazemos para reflexão este assunto, numa altura em que a maioria dos bancos anunciou os seus lucros líquidos. Todavia, apesar de a generalidade dos bancos, principalmente os maiores, terem apresentado resultados cada vez mais volumosos, a actividade creditícia não aumentou, havendo mesmo dificuldades no acesso ao crédito, principalmente para os particulares e para empresários. O Estado foi o que mais beneficiou dos resultados positivos dos bancos, atendendo a diversos factores, sobretudo às garantias que oferece às instituições bancárias.
    A este propósito, o presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Amílcar Silva, refere, em entrevista a E&M que pode ler a partir da página 42, que a crise teve reflexos na actividade bancária e reconhece que “o crédito à economia não cresceu” o necessário a partir de 2009, mantendo-se “um enquadramento macroeconómico difícil”, sendo nessa “conjuntura que os bancos angolanos continuam a financiar a economia”.
    Apesar disso, os bancos falam em lucros “históricos”, enquanto a economia está praticamente estagnada e o cenário é de incerteza. O crédito malparado cresce a uma velocidade de cruzeiro e uma das inquietações é o facto de ter de se identificar e entender as razões e os bloqueios que limitam a função do crédito na economia angolana, tema que também abordamos a partir da página 26.
    A E&M descortina ainda outros assuntos nesta edição. Falamos sobre o sector avícola, que pretende atingir a capacidade de produção de 4 milhões de ovos por dia e uma produção anual de 20 mil toneladas de carne de frango por ano, embora se debata com dificuldades para atingir essas metas; e destacamos o facto de existirem empresas que não pagam as pensões de reforma dos trabalhadores, mesmo depois de estes terem descontado durante toda a vida de trabalho para a Segurança Social.

    • As falácias da banca nacional e a (quase) estagnação do crédito à economia
      Uma falácia é uma ideia ou um raciocínio errados, ambos construídos a partir de proposições falsas, mas transmitidos como verdadeiros e consistentes. E é isto mesmo que, no geral, os bancos angolanos andam a transmitir quando se fala de crédito e financiamento às empresas e à economia do país. De facto, quando analisados os indicadores mais relevantes, os quais são utilizados internacionalmente como referências de avaliação do contributo dos bancos para o desenvolvimento e crescimento das empresas e respectivas economias, a banca angolana chumba no exame, apesar de se querer fazer crer que crescem os financiamentos à economia nacional.
       
    • Auto-regulação do mercado cambial pode trazer mais liquidez à economiaA crise financeira e económica provocou uma menor disponibilidade de divisas nos bancos e o mercado paralelo é a única alternativa de acesso à moeda estrangeira, nomeadamente ao dólar. A situação tende a melhorar, porém ainda está muito distante do desejado e o mercado cambial continua a revelar-se muito desequilibrado. De acordo com fontes da E&M, a liberalização do sector pode trazer mais divisas à economia e desafogar a procura de moeda estrangeira na banca nacional, cujos lucros disparam nos últimos dois anos, à certa medida em resultado do negócio cambial, mas não foram reencaminhados à economia através de crédito, especialmente ao sector produtivo.
  • ELEIÇÕES 2017-2022: O QUE PROMETEM OS PARTIDOS

    EDIÇÃO Nº 155

    ELEIÇÕES 2017-2022: O QUE PROMETEM OS PARTIDOS

    As eleições gerais deste mês marcam uma viragem no actual quadro político, económico e social e constituem um novo paradigma para o país. Marcam o início de um novo ciclo, em que os angolanos são levados a compreender que a vida é dinâmica e que têm de seguir em frente. São eleições que se realizam sem a candidatura do actual Presidente da República (PR), José Eduardo dos Santos, que sai de cena depois de longos anos na chefia do Estado, mas numa altura em que o país ainda vive numa profunda crise económica e social, derivada, sobretudo, da baixa do preço do petróleo no mercado internacional.
    Conforme defende o jurista Benja Satula, em entrevista que pode ler a partir da página 42, “o PR faz bem em sair, mas sai mal”, tendo em conta a situação adversa em que o país se encontra. O especialista em direito refere ainda que Angola não diversificou a sua economia por falta de atitude política e analisa os programas eleitorais, que considera serem “exequíveis”.
    Com efeito, as eleições do dia 23 de Agosto acontecem numa fase em que todos os indicadores, incluindo o mais recente relatório do CEIC (Centro de Estudos e Investigação Científica), apontam para uma forte recessão económica em Angola. Mas, apesar desses constrangimentos, as eleições alimentam alguma expectativa política positiva, pelo facto de representarem o regresso à normalidade constitucional. Tudo porque, pela primeira vez, o próximo PR apenas poderá exercer dois mandatos de dez anos no total. Ou seja, cinco anos agora e mais outros cinco anos caso receba novamente a confiança dos eleitores.

    • ELEIÇÕES 2017-2022: MUITA POLÍTICA, POUCOS NÚMEROS...Em mês de eleições, a E&M foi à procura das medidas económicas mais relevantes dos partidos políticos que concorrem para governar o país nos próximos cinco anos. Destaca-se que em termos de compromissos, apresentados através de metas claras e mensuráveis, poucos são os partidos que avançam com números, sendo que quando o fazem, na maioria dos casos, não fica claro como pretendem atingir esses objectivos macroeconómicos.
    • ELEIÇÕES 2017-2022: PROGRAMAS “POUCO INOVADORES” PARA UM PAÍS QUE FICOU MAIS POBRE DESDE 2015A campanha eleitoral teve início na segunda quinzena do mês de Julho, embora os partidos políticos já estivessem envolvidos em acções de propaganda nos últimos dois meses, sendo que as organizações partidárias concorrentes já apresentaram os seus manifestos eleitorais e programa de Governo – este último divulgado apenas pelo MPLA. Entretanto, há quem diga que não houve inovação nenhuma. Se por um lado Gildo Matias José considera que, mais importante do que as promessas é a definição de como as metas serão atingidas - o que só o MPLA conseguiu fazer, na sua opinião -, a analista sócio-política Alexandra Simeão acha que, além de não serem inovadores, os programas e manifestos não contaram com o recurso à auscultação diversificada nem incluíram um parecer académico. Haja ou não inovação, a verdade é que o partido que ascender ao poder tem o desafio de melhorar as condições sócio-económicas de um país que ficou mais pobre desde 2015.
    • ELEIÇÕES 2017-2022: BAIXA DE PREÇOS DA CESTA BÁSICA ENTRE AS MELHORIAS AGUARDADASEm véspera das eleições são notórias as aspirações dos cidadãos que desejam que o acto decorra em clima de segurança e que os resultados do mesmo venham a reflectir-se nas suas vidas. A Economia & Mercado esteve na rua a ouvir as opiniões dos eleitores que manifestam a vontade de ver alterada a situação económica e social do país. O aumento do poder de compra, uma maior facilidade no acesso aos transportes, o incremento no investimento privado e a baixa dos preços dos produtos da cesta básica são alguns dos desejos de mudança da população.
    • ENTREVISTA: Benja Satula, Coordenador do Centro de Investigação de Direito da UCANAdvogado e professor universitário, Benja Satula discorre em entrevista à E&M sobre o país, a realização das eleições deste mês, o papel dos media e analisa os programas dos partidos. Refere que Angola vive um momento de transição política que era esperada e considera que o “Presidente da República faz muito bem em sair. Infelizmente sai mal”. Salienta que o país não diversificou a economia por uma questão de atitude: “O problema da nossa economia em concreto não reclama apenas uma intervenção económica mas também uma mudança de atitude política”, frisa.
  • PLANO DE GOVERNO: REPENSAR ANGOLA

    EDIÇÃO Nº 156

    PLANO DE GOVERNO: REPENSAR ANGOLA

    Novo Governo, novos desafios?




    A Economia & Mercado (E&M) propôs-se a trazer, nesta edição, um debate e uma análise perspectiva da formação do novo Governo, em resultado das eleições de 23 de Agosto.
    A abordagem que fazemos é meramente de profissionais comprometidos com o país, um exercício puramente editorial, longe dos clichés. Entendemos que a realização destas eleições traz ao país uma nova oportunidade de ser repensado profundamente, para que se conceba um novo Plano de Nacional de Desenvolvimento, com base nas necessidades reais de Angola e nas reais capacidades de o Governo executar os programas dentro dos prazos e com os recursos disponíveis.
    Nesta abordagem, analisamos alguns sectores, como os da economia e finanças, saúde, administração pública, petróleos, justiça e outros, em que avaliamos os constrangimentos existentes e as formas de como estes podem ou devem ser ultrapassados.
    Neste desafio para o novo plano de Governo para os próximos cinco anos, também olhamos para a necessidade, ou não, do emagrecimento do Estado, ou seja, analisamos se se devem manter os mesmos figurino e estrutura actuais, sendo que os especialistas contactados pela E&M defendem a mudança da estrutura actual para torná-la mais ágil e eficiente, como pode ler a partir da página 42.
    Um outro assunto que tratamos nesta edição, e que pode ler a partir da página 16, é o compliance que a banca tem vindo a implementar, mas que a maioria dos bancos nacionais “ignora”. O presidente da Associação de Profissionais Certificados de Compliance, Ernest Honya, revela que em 2015, 38% dos bancos angolanos corriam o alto risco de corte de laços com instituições internacionais devido a esta situação.
    Olhamos ainda para as eleições realizadas em alguns países africanos no mês de Agosto, como são os casos do Ruanda e Quénia, que vieram confirmar um velho paradigma, apesar de os prognósticos anteciparem eleições pacíficas: incerteza política, tensões étnicas, intolerância, corrupção endémica ou violência, défice democrático em geral, que assusta os investidores e fazem retrair a economia.

    Destaque
    Neste desafio para o novo plano de Governo para os próximos cinco anos, também olhamos para a necessidade, ou não, do emagrecimento do Estado, ou seja, analisamos se se devem manter os mesmos figurino e estrutura actuais, sendo que os especialistas contactados pela E&M defendem a mudança da estrutura actual para torná-la mais ágil e eficiente.

    • PLANO DE GOVERNO ANGOLA 2022: O INÍCIO DE UM NOVO CICLO... OU A CONTINUIDADE DO PESADELO DO PETRÓLEOAngola tem, mais uma vez, a oportunidade de refazer o seu futuro, iniciando um novo ciclo económico, neste caso de crescimento mais moderado, porém sustentável e desapegado das receitas petrolíferas que, devido à baixa do preço do petróleo no mercado interncional, passaram de esperança para o pesadelo do país. Segundo analistas, nos próximos anos, considerando que o valor desta commodity se mantenha nos níveis actuais de cerca de 50 USD por barril pelo menos até 2021, permanecerão as “dúvidas” de crescimento com base no petróleo. Assim sendo, defendem, deve-se racionalizar ainda mais os recursos disponíveis, reforçando o investimento no sector produtivo, assim como se deve criar um melhor ambiente de negócios que seja capaz de atrair mais Investimento Directo Estrangeiro (IDE). 
    • PLANO DE GOVERNO ANGOLA 2022: ELASTICIDADE E REDUÇÃO DE ESTRUTURA PRECISAM-SEEspecialistas contactados pela E&M defendem que a estrutura de governo deve ser reduzida para torná-lo mais funcional e aumentar a sua eficiência. Entretanto, argumentam, o desafio de emagrecer o aparelho governativo não deve comprometer a eficiência e eficácia do Estado, sendo que “reduzir a estrutura implica reduzir o número de órgãos e instituições de serviço público, mas não necessariamente de agentes e funcionários públicos”.

EDIÇÃO Nº 148

REFORMA EDUCATIVA - QUALIDADE DE ENSINO NÃO FAZ SORRIR


A Segunda Reforma Educativa do sistema de ensino em Angola, iniciada em 2004, teve quatros objectivos gerais, nomeadamente, a expansão da rede escolar; a melhoria da qualidade de ensino; o reforço da eficácia do sistema de educação e a equidade do sistema de educação, que foram alcançados “satisfatoriamente”, segundo o ministro da Educação, que é contrariado por técnicos e gestores ligados ao sector, segundo os quais o maior avanço ocorreu apenas ao nível do aumento da oferta de salas de aula. Mas Pinda Simão também reconhece que, em relação à qualidade de ensino, ainda há muito por se trabalhar, pois esta vai além dos números. Entretanto, os números, quando se trata de investimento e alocação orçamental para a educação, não deixam de ser fundamentais. Aliás, o desafio é que eles cresçam e permitam a execução dos principais programas do sector, que nos últimos dois anos sofreram um corte de 35%.

  • UMA SOLUÇÃO PARA OS PROBLEMAS DO SISTEMA FINANCEIRO
    A governança corporativa pretende assegurar que as empresas apresentem melhor performance, melhor controlo e protecção dos investidores. Em Angola, esta prática requer novas estruturas e atitudes. Faltam normas e vontade política, mas algumas empresas já têm dado passos na matéria.
  • ACELERAR SOBRE DUAS RODAS PARA NÃO PASSAR FOME
    A escassez de transportes públicos levou a que algumas zonas urbanas da cidade capital também fossem “invadidas” pelos moto-táxis, vulgo kupapatas, termo oriundo da língua Umbundu que em português significa “apalpar”. A actividade de moto-táxi terá surgido no país há mais de duas décadas (em 1991) na província de Benguela, logo após a desmobilização das tropas angolanas, em cumprimento dos Acordos de Paz de Bicesse.
     
  • TUDO EM NOME DO ACORDO DA OPEP
    A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ressuscitou, no início de Dezembro, os limites de produção do cartel. A medida tem como objectivo restringir a oferta da commodity e estimular um aumento nos preços, algo necessário tanto para o reequilíbrio orçamental dos países do grupo, quanto para a recuperação da indústria de energia, que reduziu investimentos após a queda no preço dos barris.

EDIÇÃO Nº 153

PRODUÇÃO DE MADEIRA - TRANSFORMAR PARA EXPORTAR COM VALOR

O sector florestal, particularmente a produção de madeira, foi eleito como uma das fontes de captação de divisas, no âmbito da diversificação economia e das fontes de tributárias do Estado. Entretanto, ao mesmo tempo que enfrenta o desafio de garantir uma gestão sustentável dos recursos, Angola também precisa de, urgentemente, dinamizar a indústria transformadora, na medida em que o país perde divisas ao exportar produtos não transformados, aos quais não é agregado nenhum tipo de valor. Este, de resto, é um cenário que se verifica no sector produtivo angolano. Aliás, o país produz petróleo, porém não dispõe de refinarias suficientes para a sua transformação.

  • Devastação florestal e saque da madeira angolanaAngola está a sofrer “um corte anárquico e insustentável” das suas riquezas vegetais, incluindo espécies nobres – uma devastação que ocorria de forma camuflada, mas que a partir de 2016 passou a fazer-se às claras, sem qualquer ganho para a economia do país e sem replantação, em prejuízo da flora e da fauna. Vladimir Russo, líder da ambientalista Fundação Kissama, e outros cidadãos preocupados pronunciam-se sobre o assunto. 
  • Produção de madeira - Investigação e reflorestamento antes dos lucrosA empresa Estrela da Floresta é, desde há um ano, responsável pela gestão da exploração florestal no Planalto Central, após ter assinado com o Governo um contrato de concessão de terras a longo termo para desenvolver uma grande plantação de madeira numa área com mais de 80 mil hectares nas províncias de Benguela, Huambo, Huíla e Bié. Neste momento, a empresa está focada no relançamento de uma indústria de florestas sustentável em Angola, criadora de novas oportunidades de negócios e de empregabilidade. 
  • Produção da Madeira Entrevista - Tomás Caetano, director do Instituto Nacional de Desenvolvimento Florestal “Existe um grande défice de indústrias de transformação”

    A madeira foi eleita como um produto de exportação e captação de divisas para a economia angolana, no âmbito da diversificação das fontes de receita do país, um processo que iniciou depois de despoletar a baixa do preço no petróleo no mercado internacional. Entretanto, apesar da vasta área de floresta explorável, estimada, actualmente, em mais de 60 milhões de hectares, a participação do sector PIB a angolano ainda é insignificante, não só devido à baixa produção, mas sobretudo devido ao défice de uma indústria transformadora, afirmou o director do Instituto Nacional de Desenvolvimento Florestal, Tomás Caetano. “O país pode ser auto-suficiente em termos de produção de madeira, mas existe um grande défice de indústrias de transformação”, disse, acrescentando que “é necessário que se invista no processo de semi-transformação e na transformação”.

EDIÇÃO Nº 154

FINANCIAMENTO À ECONOMIA - UMA VERDADE IMPERFEITA

O crédito à economia é um assunto da actualidade, por ser catalisador do desenvolvimento socioeconómico e motor da sociedade: estimula o consumo e ao mesmo tempo impulsiona o investimento. O crédito mais não é do que uma modalidade de empréstimo de dinheiro. Trata-se de um produto financeiro de cedência de capital a empresas ou a particulares, assente na confiança mútua e com o qual se financia igualmente a economia.
Trazemos para reflexão este assunto, numa altura em que a maioria dos bancos anunciou os seus lucros líquidos. Todavia, apesar de a generalidade dos bancos, principalmente os maiores, terem apresentado resultados cada vez mais volumosos, a actividade creditícia não aumentou, havendo mesmo dificuldades no acesso ao crédito, principalmente para os particulares e para empresários. O Estado foi o que mais beneficiou dos resultados positivos dos bancos, atendendo a diversos factores, sobretudo às garantias que oferece às instituições bancárias.
A este propósito, o presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Amílcar Silva, refere, em entrevista a E&M que pode ler a partir da página 42, que a crise teve reflexos na actividade bancária e reconhece que “o crédito à economia não cresceu” o necessário a partir de 2009, mantendo-se “um enquadramento macroeconómico difícil”, sendo nessa “conjuntura que os bancos angolanos continuam a financiar a economia”.
Apesar disso, os bancos falam em lucros “históricos”, enquanto a economia está praticamente estagnada e o cenário é de incerteza. O crédito malparado cresce a uma velocidade de cruzeiro e uma das inquietações é o facto de ter de se identificar e entender as razões e os bloqueios que limitam a função do crédito na economia angolana, tema que também abordamos a partir da página 26.
A E&M descortina ainda outros assuntos nesta edição. Falamos sobre o sector avícola, que pretende atingir a capacidade de produção de 4 milhões de ovos por dia e uma produção anual de 20 mil toneladas de carne de frango por ano, embora se debata com dificuldades para atingir essas metas; e destacamos o facto de existirem empresas que não pagam as pensões de reforma dos trabalhadores, mesmo depois de estes terem descontado durante toda a vida de trabalho para a Segurança Social.

  • As falácias da banca nacional e a (quase) estagnação do crédito à economia
    Uma falácia é uma ideia ou um raciocínio errados, ambos construídos a partir de proposições falsas, mas transmitidos como verdadeiros e consistentes. E é isto mesmo que, no geral, os bancos angolanos andam a transmitir quando se fala de crédito e financiamento às empresas e à economia do país. De facto, quando analisados os indicadores mais relevantes, os quais são utilizados internacionalmente como referências de avaliação do contributo dos bancos para o desenvolvimento e crescimento das empresas e respectivas economias, a banca angolana chumba no exame, apesar de se querer fazer crer que crescem os financiamentos à economia nacional.
     
  • Auto-regulação do mercado cambial pode trazer mais liquidez à economiaA crise financeira e económica provocou uma menor disponibilidade de divisas nos bancos e o mercado paralelo é a única alternativa de acesso à moeda estrangeira, nomeadamente ao dólar. A situação tende a melhorar, porém ainda está muito distante do desejado e o mercado cambial continua a revelar-se muito desequilibrado. De acordo com fontes da E&M, a liberalização do sector pode trazer mais divisas à economia e desafogar a procura de moeda estrangeira na banca nacional, cujos lucros disparam nos últimos dois anos, à certa medida em resultado do negócio cambial, mas não foram reencaminhados à economia através de crédito, especialmente ao sector produtivo.

EDIÇÃO Nº 155

ELEIÇÕES 2017-2022: O QUE PROMETEM OS PARTIDOS

As eleições gerais deste mês marcam uma viragem no actual quadro político, económico e social e constituem um novo paradigma para o país. Marcam o início de um novo ciclo, em que os angolanos são levados a compreender que a vida é dinâmica e que têm de seguir em frente. São eleições que se realizam sem a candidatura do actual Presidente da República (PR), José Eduardo dos Santos, que sai de cena depois de longos anos na chefia do Estado, mas numa altura em que o país ainda vive numa profunda crise económica e social, derivada, sobretudo, da baixa do preço do petróleo no mercado internacional.
Conforme defende o jurista Benja Satula, em entrevista que pode ler a partir da página 42, “o PR faz bem em sair, mas sai mal”, tendo em conta a situação adversa em que o país se encontra. O especialista em direito refere ainda que Angola não diversificou a sua economia por falta de atitude política e analisa os programas eleitorais, que considera serem “exequíveis”.
Com efeito, as eleições do dia 23 de Agosto acontecem numa fase em que todos os indicadores, incluindo o mais recente relatório do CEIC (Centro de Estudos e Investigação Científica), apontam para uma forte recessão económica em Angola. Mas, apesar desses constrangimentos, as eleições alimentam alguma expectativa política positiva, pelo facto de representarem o regresso à normalidade constitucional. Tudo porque, pela primeira vez, o próximo PR apenas poderá exercer dois mandatos de dez anos no total. Ou seja, cinco anos agora e mais outros cinco anos caso receba novamente a confiança dos eleitores.

  • ELEIÇÕES 2017-2022: MUITA POLÍTICA, POUCOS NÚMEROS...Em mês de eleições, a E&M foi à procura das medidas económicas mais relevantes dos partidos políticos que concorrem para governar o país nos próximos cinco anos. Destaca-se que em termos de compromissos, apresentados através de metas claras e mensuráveis, poucos são os partidos que avançam com números, sendo que quando o fazem, na maioria dos casos, não fica claro como pretendem atingir esses objectivos macroeconómicos.
  • ELEIÇÕES 2017-2022: PROGRAMAS “POUCO INOVADORES” PARA UM PAÍS QUE FICOU MAIS POBRE DESDE 2015A campanha eleitoral teve início na segunda quinzena do mês de Julho, embora os partidos políticos já estivessem envolvidos em acções de propaganda nos últimos dois meses, sendo que as organizações partidárias concorrentes já apresentaram os seus manifestos eleitorais e programa de Governo – este último divulgado apenas pelo MPLA. Entretanto, há quem diga que não houve inovação nenhuma. Se por um lado Gildo Matias José considera que, mais importante do que as promessas é a definição de como as metas serão atingidas - o que só o MPLA conseguiu fazer, na sua opinião -, a analista sócio-política Alexandra Simeão acha que, além de não serem inovadores, os programas e manifestos não contaram com o recurso à auscultação diversificada nem incluíram um parecer académico. Haja ou não inovação, a verdade é que o partido que ascender ao poder tem o desafio de melhorar as condições sócio-económicas de um país que ficou mais pobre desde 2015.
  • ELEIÇÕES 2017-2022: BAIXA DE PREÇOS DA CESTA BÁSICA ENTRE AS MELHORIAS AGUARDADASEm véspera das eleições são notórias as aspirações dos cidadãos que desejam que o acto decorra em clima de segurança e que os resultados do mesmo venham a reflectir-se nas suas vidas. A Economia & Mercado esteve na rua a ouvir as opiniões dos eleitores que manifestam a vontade de ver alterada a situação económica e social do país. O aumento do poder de compra, uma maior facilidade no acesso aos transportes, o incremento no investimento privado e a baixa dos preços dos produtos da cesta básica são alguns dos desejos de mudança da população.
  • ENTREVISTA: Benja Satula, Coordenador do Centro de Investigação de Direito da UCANAdvogado e professor universitário, Benja Satula discorre em entrevista à E&M sobre o país, a realização das eleições deste mês, o papel dos media e analisa os programas dos partidos. Refere que Angola vive um momento de transição política que era esperada e considera que o “Presidente da República faz muito bem em sair. Infelizmente sai mal”. Salienta que o país não diversificou a economia por uma questão de atitude: “O problema da nossa economia em concreto não reclama apenas uma intervenção económica mas também uma mudança de atitude política”, frisa.

EDIÇÃO Nº 156

PLANO DE GOVERNO: REPENSAR ANGOLA

Novo Governo, novos desafios?




A Economia & Mercado (E&M) propôs-se a trazer, nesta edição, um debate e uma análise perspectiva da formação do novo Governo, em resultado das eleições de 23 de Agosto.
A abordagem que fazemos é meramente de profissionais comprometidos com o país, um exercício puramente editorial, longe dos clichés. Entendemos que a realização destas eleições traz ao país uma nova oportunidade de ser repensado profundamente, para que se conceba um novo Plano de Nacional de Desenvolvimento, com base nas necessidades reais de Angola e nas reais capacidades de o Governo executar os programas dentro dos prazos e com os recursos disponíveis.
Nesta abordagem, analisamos alguns sectores, como os da economia e finanças, saúde, administração pública, petróleos, justiça e outros, em que avaliamos os constrangimentos existentes e as formas de como estes podem ou devem ser ultrapassados.
Neste desafio para o novo plano de Governo para os próximos cinco anos, também olhamos para a necessidade, ou não, do emagrecimento do Estado, ou seja, analisamos se se devem manter os mesmos figurino e estrutura actuais, sendo que os especialistas contactados pela E&M defendem a mudança da estrutura actual para torná-la mais ágil e eficiente, como pode ler a partir da página 42.
Um outro assunto que tratamos nesta edição, e que pode ler a partir da página 16, é o compliance que a banca tem vindo a implementar, mas que a maioria dos bancos nacionais “ignora”. O presidente da Associação de Profissionais Certificados de Compliance, Ernest Honya, revela que em 2015, 38% dos bancos angolanos corriam o alto risco de corte de laços com instituições internacionais devido a esta situação.
Olhamos ainda para as eleições realizadas em alguns países africanos no mês de Agosto, como são os casos do Ruanda e Quénia, que vieram confirmar um velho paradigma, apesar de os prognósticos anteciparem eleições pacíficas: incerteza política, tensões étnicas, intolerância, corrupção endémica ou violência, défice democrático em geral, que assusta os investidores e fazem retrair a economia.

Destaque
Neste desafio para o novo plano de Governo para os próximos cinco anos, também olhamos para a necessidade, ou não, do emagrecimento do Estado, ou seja, analisamos se se devem manter os mesmos figurino e estrutura actuais, sendo que os especialistas contactados pela E&M defendem a mudança da estrutura actual para torná-la mais ágil e eficiente.

  • PLANO DE GOVERNO ANGOLA 2022: O INÍCIO DE UM NOVO CICLO... OU A CONTINUIDADE DO PESADELO DO PETRÓLEOAngola tem, mais uma vez, a oportunidade de refazer o seu futuro, iniciando um novo ciclo económico, neste caso de crescimento mais moderado, porém sustentável e desapegado das receitas petrolíferas que, devido à baixa do preço do petróleo no mercado interncional, passaram de esperança para o pesadelo do país. Segundo analistas, nos próximos anos, considerando que o valor desta commodity se mantenha nos níveis actuais de cerca de 50 USD por barril pelo menos até 2021, permanecerão as “dúvidas” de crescimento com base no petróleo. Assim sendo, defendem, deve-se racionalizar ainda mais os recursos disponíveis, reforçando o investimento no sector produtivo, assim como se deve criar um melhor ambiente de negócios que seja capaz de atrair mais Investimento Directo Estrangeiro (IDE). 
  • PLANO DE GOVERNO ANGOLA 2022: ELASTICIDADE E REDUÇÃO DE ESTRUTURA PRECISAM-SEEspecialistas contactados pela E&M defendem que a estrutura de governo deve ser reduzida para torná-lo mais funcional e aumentar a sua eficiência. Entretanto, argumentam, o desafio de emagrecer o aparelho governativo não deve comprometer a eficiência e eficácia do Estado, sendo que “reduzir a estrutura implica reduzir o número de órgãos e instituições de serviço público, mas não necessariamente de agentes e funcionários públicos”.

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