A movimentação de contentores em Angola tem vindo a crescer significativamente face ao desenvolvimento do mercado que tem vindo ano pós ano a atrair investidores no transporte de cargas em contentor.

Há mais de 30 anos presente em Angola, A NileDutch Africa Line é uma das 25 principais empresas de transporte de contentores do mundo e fornece serviços de linha regular entre os portos do oeste africano, da Europa, África do Sul, América do Sul e Ásia. Marc Smulders, director-geral da empresa no país, garante que este ano o objectivo é aproximar a um carregamento de cerca de 30 milhões de contentores de 20 pés, nos 5 portos de Angola.

A NileDutch tem África Ocidental como o principal mercado de actuação. A operadora vê-se hoje comprometida com os seus clientes oferecendo soluções de serviço. Em Angola as suas operações passam em províncias como Cabinda, Soyo, Luanda, Lobito e Namibe com uma média anual de transporte pelo país que ronda em cerca de 500 mil contentores.

Com uma rede de escritórios espalhados por várias regiões do mundo a NileDutch tem uma linha de transporte de contentores em expansão e nos últimos meses aumentou a sua frota com mais um navio, sendo que mais três serão construídos até final deste ano. A empresa quer reforçar a sua frota com quatro navios porta-contentores de desenho personalizado, de modo a oferecer um melhor serviço para os principais mercados da África Ocidental.

As dimensões do deque de equipamentos dos quatro novos navios estão adaptados para os portos que irão servir na África Ocidental. Cada navio tem capacidade para 3 510 TEU (1 530 nos porões, e 1 980 sobre a escotilha). Os motores de 20 000 KW irão garantir eficiência operacional e um baixo impacto ambiental. Os barcos têm um comprimento total de 224 metros de feixe (largura) sobre 34,8 metros, e calado de 12,5 metros.

O directo da empresa, Marc Smulders explica que actualmente a empresa opera com uma moderna frota de 30 navios com uma capacidade de 2.500 até 5.000 TEUS para os principais portos de Angola e três alimentadores que operaram nos portos menores, como Cabinda e Soyo. “Recentemente inauguramos em Luanda o Navio MV NileDutch Breda, o primeiro de quatro novos navios construído que vai entrar em serviço nos próximos seis meses. Estes navios são totalmente adaptado às condições dos portos em que operamos e irão reforçar os nos nosso serviços de América do Sul e da Europa para Angola”, disse.

Mercado obriga limitações

Segundo o Conselho Nacional de Carregadores (CNC), 70% do mercado angolano de carregadores de contentores e transportes marítimos é dominado por três principais operadoras. Marsk Angola (Maersk Line/Safmarine), Delmas/CMA CGM e Nile Dutch. O sector marítimo tem registado melhorias nos últimos anos com um crescimento considerado altamente atractivo para investimentos.

Marc Smulders considera o mercado angolano em grande crescimento o que tem tornado o mesmo favorável para muitas empresas. “Considero o mercado angolano o maior embora as margens de lucros são muito limitadas pelo facto de haver muita concorrência e porque temos tido muitas dificuldades com os tipos de navios que devemos operar não só no mercado angolano, mas nos mercados africanos”, atenta.

O responsável refere que as suas operações nos portos do país são feitas de forma limitada através da dimensão dos navios. “Para ultrapassar estas dificuldades temos vindo a utilizar os navios que são construídos especificamente para a NileDutch, de acordo as características que encontramos nos mercados africanos”, explica.

Questionado sobre os lucros da empresa, Marc Smulders, não revela número e limita-se apenas em responder que o negócio não tão rentável sendo que diferente dos outros mercados que os contentores retornam com cargas, em Angola não acontece o mesmo.

“Considero o mercado angolano o nosso maior mercado porque é nele que temos a maior cota de mercado. Mas, ainda assim temos uma grande dificuldade pelo facto de neste não existir carga de exportação ao contrário de muitos outros mercados de África”, sustenta.

Saiba mais lendo a edição impressa de Dezembro, nº123. Economia & Mercado… Quem lê, sabe mais!