Na última década, a África Subsariana tem experimentado um rápido crescimento das despesas de consumo, em resultado do gradual aumento do poder de compra da população, sendo que em 2010 foram gastos cerca de 600 mil milhões de dólares em bens de consumo, mas este número deverá ascender ao bilião de dólares em 2020. Assim, e de acordo com um estudo da Accenture, sobre a dinâmica do mercado africano de consumo, esta região de África apresenta um forte potencial de retorno do investimento, malgrado seja imperioso que as empresas ajustem as suas estratégias e expectativas ao entrarem no emergente mercado de consumo africano.
 

Entre 2011 e 2020, a Accenture estima que a taxa média de crescimento das despesas de consumo na África Subsariana se situe nos 4,3%, e que, no final desse período, os consumidores desta região, estejam a gastar em bens de consumo, ou seja, bens não duráveis, cerca de um bilião de dólares ao ano. Neste quadro, as perspectivas são de que, em menos de cinco anos, comece efectivamente a emergir uma classe média africana relevante para as empresas, nacionais e estrangeiras, que criem as condições certas para investir nestes mercados.
Actualmente, e apesar de em termos gerais, o rendimento per capita da generalidade dos africanos ainda ser baixo, este encontra-se em crescimento e dará lugar à ascensão de uma classe média com condições para aumentar o seu consumo. De recordar que, de acordo com o Banco de Desenvolvimento Africano, a população africana com rendimentos diários entre os 4 e os 20 dólares pode ser definida como pertencendo à classe média, o que leva a que cerca de 120 milhões de africanos, ou seja, mais de 13% da população total, possa já ser colocada nesta categoria.

Considerando que a classe média é o grande suporte das variáveis consumo e crescimento da riqueza nacional dos países, e que no chamado mundo desenvolvido a classe média representa um terço da população e consome em torno dos 7 biliões de dólares anualmente, é perceptível a importância que este segmento tem para as empresas e para as economias.

De acordo com um estudo da Accenture, sobre a dinâmica do mercado africano de consumo, o rápido e sustentado crescimento do consumo na África Subsariana está a ser essencialmente suportado por três factores chave. Por um lado, temos um cenário onde as perspectivas de crescimento demográfico apontam para que a população desta região atinja os 2 mil milhões em 2050 e que as pessoas economicamente activas passem de 56% do total para 66%.

Ao mesmo tempo, projecta-se uma redução significativa dos níveis de pobreza, levando a que a percentagem de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia passe dos actuais 45% para cerca de 20% em 2020, e que o processo de urbanização continue em progressão, fazendo com que, em 2050, dois terços da população da região viva em cidades, contra perto de 40% em 2010, o que resulta na existência de cada vez mais consumidores disponíveis para adquirir mais bens e serviços às empresas.

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