A julgar pelos investimentos concretizados ou em carteira e pela  frequência das salas de jogos por apostadores nacionais e estrangeiros, o negócio dos casinos apresenta em Angola fortes indicadores de crescimento.

A julgar pelos investimentos concretizados ou em carteira e pela  frequência das salas de jogos por apostadores nacionais e estrangeiros, o negócio dos casinos apresenta em Angola fortes indicadores de crescimento. Porém a ausência de uma lei que regulamente o sector é um grande condicionalismo ao desenvolvimento do negócio.

Cinco milhões de dólares norte-americanos foram investidos na construção e apetrechamento do empreendimento que constitui o maior casino de Angola, localizado na província da Huíla. O Casino Olímpia “materializa tudo o que preconizamos para o futuro”, revela Tiago Vilela de Sousa, Director de Marketing da sociedade Casinos de Angola.

O grupo empresarial, que integra a Plurijogos, conta com uma vasta experiência em matéria de jogos de mesa e máquinas (slot machines), assumindo desde finais de 2009 um novo posicionamento neste mercado cada vez mais exigente.

Os Casinos de Angola alargam a sua gama de serviços, desde os jogos ao entretenimento, com o objectivo de proporcionar aos angolanos e estrangeiros uma proposta diversificada de gastronomia e diversão, com a música e a dança em destaque.

“A Plurijogos está centrada na actividade de jogos e os Casinos de Angola vão além disso, integrando a componente de entretenimento e cultura”, explica Tiago Vilela de Sousa. Dentro da sua linha de expansão de negócios, o grupo vai investir nos próximos três anos 55 milhões de dólares na abertura de mais dois casinos, bem como na reabilitação de outros dois em Luanda.

Para o gestor, o Casino Olímpia no Lubango constitui o primeiro passo de uma série de novos desafios que se avizinham. Apesar de ser a sociedade que gere as principais casas de jogos do país, outras empresas já manifestaram a intenção de estabelecerem parcerias com o mesmo objectivo.

Ainda em Luanda, onde está concentrada a maioria da população e dos negócios, serão investidos 8 milhões de dólares na exploração do Casino Diamante, com ligações ao grupo Vipgest, que vai gerir um hotel.

“É um casino à altura dos que se vêem no estrangeiro”, exemplifica o Director de Marketing dos Casinos de Angola. O empreendimento será implantado numa área de 1 000 metros quadrados e terá 98% de empregados nacionais, num conjunto de 300 trabalhadores. O principal objectivo do negócio “é o entretenimento e lazer, sempre com os jogos em pano de fundo”.

Verdade ou não, o certo é que o negócio dos casinos movimenta muitas receitas e acarreta consigo a vertente turística, prestando um forte apoio à economia.

Actualmente, a África do Sul é um grande mercado a nível de jogos na região de que Angola faz parte e é o quinto país no Mundo que mais receitas obtem deste negócio. É com este exemplo em mente que os Casinos de Angola e demais empresas investem nesta actividade, “através da incorporação de novos serviços e apostas fortes na cultura local”, contribuindo para “o engrandecimento da economia”, sublinha Tiago Vilela de Sousa.

Para lá das fronteiras “É importante para o país criar condições para receber turistas”, reconhece o gestor “assim como apostar na divulgação da sua cultura e da sua gastronomia, entre outros, nos países limítrofes”.

Segundo Tiago Vilela de Sousa, “os Casinos de Angola têm preparadas acções de promoção do país e dos seus casinos no estrangeiro, assumindo assim um papel de catalisador do turismo em Angola”.

Para Fernando Neto, gerente da casa de jogos Imperador Brasília, este programa ainda não está ao alcance de qualquer empresa, apesar de reconhecer que a actividade movimenta muito dinheiro, considerando que é necessário, em primeiro lugar, que “os nacionais aceitem a actividade e a pratiquem como entretenimento”.

 
NÚMEROS

 

5 milhões de USD
foram investidos na construção e apetrechamento do Casino Olímpia do Lubango, que é a maior sala de jogos de Angola.

 

7 220 milhões de euros
em receitas brutas foi quanto os casinos de Macau arrecadaram nos primeiros 5 meses do ano.

 

18 000 milhões de USD
foram as receitas dos casinos sul-africanos em 2008.

 

Actualmente, existem em Luanda dois casinos (Marinha e Tivoli) e quatro salas de jogos, pertencentes ao grupo Casinos de Angola, enquanto outros estão em construção. A frequência de clientes tem vindo a crescer, uma vez que não há critérios específi cos (além da idade) para a entrada nesses estabelecimentos, razão pela qual “temos tido clientes de toda a parte do Mundo”, reconhece Fernando Neto.

“O Casino Tivoli é o mais antigo no sector e encontra-se em pleno funcionamento, depois de termos investido 5 milhões de dólares na sua reabilitação”, revela Tiago Vilela de Sousa.

O grupo vai investir cerca de 35 milhões de dólares no complexo turístico Gika, onde a par dos jogos terá dois restaurantes, vários bares e uma área de espectáculos.

O negócio do jogo está a ganhar espaço no mercado nacional, como comprova a abertura de novos casinos. A sua magnitude, bem como o valor das receitas arrecadadas, não são do conhecimento público, mas o gestor deixa claro que “se apostamos no negócio é porque há lucros”.

Tiago Vilela de Sousa acrescenta que “os accionistas da empresa têm vindo, nos últimos anos, a abdicar dos dividendos inerentes à operação, com o objectivo de modernizar os casinos, melhorar as infra-estruturas, apostando igualmente na formação dos colaboradores”.

“Através de investimentos com capitais próprios, os Casinos de Angola injectam assim riqueza na economia, decorrente não só da modernização das infra-estruturas, mas também do pagamento de impostos e pela criação de 1 500 novos postos de trabalho directos nos próximos três anos”, revela o Director de Marketing.

“As empresas ligadas ao jogo investem nesta actividade em Angola através da incorporação de novos serviços e uma aposta forte nos valores culturais, contribuindo para o engrandecimento da economia.