O próximo grande desafio de Angola passa por “fazer parte do pelotão de países que não param de crescer”, assegura Manuel José Nunes Júnior, Ministro de Estado e da Coordenação Económica. Para este governante, a diversificação e crescimento da economia, e o aumento da taxa de emprego, implicam necessariamente a promoção de mais e melhores ideias.

Manuel Nunes Júnior não tem dúvidas que o próximo grande desígnio de Angola é integrar o pelotão da frente dos países com maiores taxas de crescimento, e que este propósito passa por uma estratégia de promoção e aplicação de novas ideias.
Isto porque, conforme defende, “no mundo moderno, o factor fundamental para o sucesso dos países já não são os recursos naturais, nem mesmo os recursos financeiros”.

O Ministro, por ocasião da conferência “Estratégias para Alcançar um Crescimento Sustentado”, sustentou que “o elemento chave para garantir um crescimento económico contínuo são as ideias”. De facto, “os recursos naturais desgastam-se com o uso e perdem o seu valor, mas as ideias não se desgastam”, argumentou.

Tendo em conta que “a capacidade do homem para produzir novas ideias é infinita, também são infinitas as potencialidades de crescimento económico para aqueles países que não param de produzir novas ideias”, e de apostar no capital humanos e no conhecimento.

No cenário da economia angolana, estas novas ideias devem ser particularmente dirigidas para a diversificação da economia e do tecido produtivo. Para este governante, afigura-se clara a necessidade de “diminuir a grande dependência do sector petrolífero”. Não é novo que, “embora este sector continue a apresentar maior peso no PIB, nas exportações e nas receitas fiscais, é um sector que não é intensivo em mão-de-obra e, por isso, cria muito pouco emprego”, relembra.

Apostar no emprego
 Em resultado, Manuel Nunes Júnior sustenta que, tendo em conta os altos índices de desemprego, e o objectivo de eliminação da fome e pobreza extrema, o Governo está orientado para uma política de desenvolvimento baseada na criação de postos de trabalho.

Segundo o Ministro, o executivo aposta no emprego enquanto “alavanca do crescimento económico”, nomeadamente através da aplicação de ideias destinadas ao “aumento progressivo dos níveis de desempenho da economia, com vista a garantir a existência de segmentos com altos níveis de produtividade e de modernidade tecnológica”, assegura.

A criação de pólos de desenvolvimento é vista como uma forma de fomentar a criação de postos de trabalho e, em simultâneo, de “garantir um rápido crescimento agrícola e industrial, criando um ambiente propício ao investimento privado, quer nacional como externo, e privilegiando o estabelecimento de zonas económicas especiais e zonas francas”, adiantou.

Manuel Nunes Júnior chamou a atenção para a necessidade das empresas desenvolverem “uma competitividade estrutural em determinados sectores de actividade, o que pressupõe apostar na diferenciação e qualidade dos seus produtos e serviços, de modo a aumentar as suas vantagens comparativas e competitivas”.

O governante lembrou ainda a necessidade de se intensificarem as acções de formação dirigidas à classe empresarial, em particular através de programas específicos para empresários e gestores de empresas, com recurso ao modelo das Business Schools, as quais “deveriam ser criadas em parceria com as melhores escolas mundiais neste domínio”, defende.

Instituições credíveis
 O Ministro de Estado e da Coordenação Económica acredita que o modelo que Angola idealiza “não será eficaz se não tivermos instituições fortes, credíveis e competentes”, uma vez que “está provado, do ponto de vista científico, que os países que não têm instituições credíveis não conseguem levantar voo para o desenvolvimento”.

Em linha com essa convicção, acrescenta que “podemos ter uma localização geográfica privilegiada, com recursos naturais abundantes e ricos, podemos ter boas estratégias e boas políticas, mas se não tivermos boas instituições capazes de as executar, nunca chegaremos ao desenvolvimento”, garante.

Sobre essa matéria, o governante acredita que Angola está no bom caminho. De acordo com Manuel Nunes Júnior, a partir de 2002, com o alcance da paz, e até ao ano de 2008, “foi possível manter um crescimento médio do PIB acima de 17% ao ano, com a redução persistente da taxa de inflação, que passou de mais de 100% em 2002, para cerca de 13.2% em 2008”.

Mais, “o país tem tido um crescimento impetuoso, num ambiente de taxas de inflação decrescentes”, acrescenta, ao mesmo tempo que aponta que “a normalização dos compromissos financeiros externos está assegurada e, simultaneamente, foram obtidos resultados positivos nas finanças públicas e na balança de pagamentos”.

Quanto a 2009, Manuel Nunes recorda que foi “um ano difícil”, durante o qual “houve turbulências no mercado cambial e monetário, devido à escassez relativa de divisas, em resultado da diminuição das receitas petrolíferas”. Porém, considera que se chegou “ao final do ano com uma aterragem suave”.

Agora, a prioridade é consolidar os resultados obtidos, e concentrar esforços numa estratégia orientada para o conhecimento, e para a diversificação de um tecido produtivo capaz de criar mais postos de trabalho, e mais e melhores produtos e serviços.