Embora os agentes do sector imobiliário garantam ter havido uma redução, os preços dos apartamentos em Luanda, mesmo com a crescente oferta e contribuição do Governo, continuam altos. No entanto, a presidente da Comissão Executiva da Imogestin SA, Branca do Espírito Santo, garante que o negócio caminha para um sentido em que se assistirá à redução e estabilização dos preços em determinadas zonas. O estudo da Proprime sobre o mercado imobiliário revela que os sectores de habitação e escritórios continuam a dominar a oferta e a procura mantém-se em expansão, sendo que, relativamente à habitação, não existe oferta que vá ao encontro da esmagadora demanda por moradias de média e baixa renda.

A vice-presidente da Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA), Branca do Espírito Santo, revela que o mercado regista uma grande procura por armazéns nas imediações do Porto de Luanda. Acresce que actualmente existem sete centros comerciais de relevo e aguarda-se a abertura de mais 11 em vários pontos da cidade.

“Existem ainda três projectos de retail parks, bem como a construção de quatro pólos turísticos no país, nomeadamente em Malange, dois em Luanda e Kuando Kubango, que poderão impulsionar este segmento”, revelou a também presidente da Comissão Executiva da Imogestin SA.

De acordo com os dados a que a E&M teve acesso, no centro da cidade, o valor médio de um apartamento T1 é de 980 mil dólares, o T2 custa perto de 1,500 milhões de dólares, o T3 ronda os 2,130 milhões de dólares e o T4 está a 2,750 milhões de dólares. Na Maianga, o T1 custa 523 mil dólares, o preço do T2 ronda os 840 mil dólares, o T3 valerá 1,185 milhões de dólares e o T4 custa 1,894 milhões de dólares.

Os valores ligeiramente mais baixos, mas ainda muito longe da capacidade de compra da maioria, verificam-se na zona de Viana, onde não há oferta de T1 e o T2 custa 215 mil dólares, sendo que o T4 está avaliado em 265 mil dólares.

Já na zona de Camama, onde se situa o maior projecto habitacional do Governo ao nível nacional, a compra de um apartamento T2 está no valor de 200 500 dólares e o T3 custa perto de 238 mil dólares, sendo que a oferta de T1 e T4 é escassa.

Contudo, Branca do Espírito Santo perspectiva que o mercado caminhe para a estabilidade dos preços em determinadas zonas. “Pode parecer contraditório, mas estudos de mercado apontam que, mesmo com a construção das novas centralidades, as quantidades disponíveis não satisfarão a demanda a curto e médio prazo e os empresários imobiliários não conseguirão fazer face a esta situação porque os custos do material de construção continuam elevados”, diz a responsável da APIMA.

O estudo da Proprime sobre o mercado imobiliário revela ainda que os escritórios continuam a dominar, mas as moradias de média e baixa renda são as mais procuradas pela população.

O estudo, que incidiu sobre as obras novas, em especial condomínios e edifícios para a classe média alta, revela ainda que a falta de uma oferta imobiliária para a classe média baixa pode ser encarada como uma oportunidade de investimento.

Branca do Espirito Santo revela que a procura por moradias no segmento médio alto encontra-se ajustada ao stock existente. Ou seja, o mercado dispõe de moradias suficientes para o segmento alto.

Segundo o Director Geral da Proprime, Nelson Rêgo, no segmento habitação, em Luanda assiste-se a um novo dinamismo, fruto do projecto âncora de requalificação da Baía de Luanda e do potencial de oportunidades face à emergência da classe média. O responsável sustenta ainda que se assiste, no momento, a uma procura mais alargada, consequência do aumento do poder de compra e da crescente profissionalização da indústria imobiliária.

Mais equilíbrio no mercado até final de 2014

Os estudos do mercado imobiliário revelam ainda que, por um lado, há cada vez mais empresas a abrirem e a expandirem-se. Por outro lado, os preços dos escritórios em Luanda, principalmente na zona baixa da cidade, ‘afugentam’ quem pretende abrir uma firma.
De acordo com a Delloite, o stock de escritórios no centro de Luanda, com relação a 2012, duplicou, atingindo os 510 mil metros quadrados e prevê-se um crescimento de 62% até final de 2014. Isto, de acordo com Branca do Espírito Santo, poderá proporcionar um equilíbrio entre a oferta e a procura neste sector, além de se prever, com o aumento, uma redução nos preços praticados.

Todavia, o valor unitário por metro quadrado de um escritório novo na baixa de Luanda é de 9 750 dólares, ao passo que na Ingombota e Maianga o valor é de 8 mil dólares o metro quadrado, sendo que na zona da Praia do Bispo e Luanda Sul os preços fixam-se em 8 472 dólares e 6 667 dólares respectivamente.

Embora estes valores sejam ainda elevados, a verdade é que, comparativamente ao ano passado, registaram uma redução. O metro quadrado de um escritório na Baía de Luanda assinalou uma redução de 1,32%, na Praia do Bispo reduziu 7,05%, no centro subiu 3,33% e em Talatona os preços também subiram uma margem de 8,29%.


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