Parafraseando uma velha expressão muito popular: É justo dizer que a Europa já começou a ver "alguma luz ao fundo do túnel...". Isto em consequência dos dados recentemente extraídos das estatísticas económicas referentes ao segundo trimestre do ano corrente.
Dados esses que contrariam as tendências económicas iniciadas em 2008 e que se prolongaram, de forma dramática, até ao primeiro trimestre do corrente ano.

A desaceleração da economia europeia coincidiu com a crise de 2008 que abalou boa parte das economias do mundo. Mas, agora, parece estar próximo o fim de um tão longo período de agonia. No ano 2012, a economia do conjunto dos 27 países que integram a União Europeia contraiu na ordem dos 0,1%, graças ao desempenho positivo que tiveram as economias da Suécia e do Reino Unido.

Na chamada Zona Euro ­ o subconjunto dos países da União Europeia que partilham a mesma moeda, o Euro ­ a contracção económica do ano de 2012 foi ainda maior, situando-se nos 0,5%, em contraste com o relativamente bom desempenho da economia norte-americana (2,2%) e do Japão (2,3%).

As economias emergentes mantiveram um ritmo de crescimento mais vigoroso, tendo como referências a China e a Índia, mesmo que também haja economias emergentes em fase de desaceleração, como sejam a Rússia e o Brasil.

O actual impulso positivo das economias resulta, sobretudo, dos avanços experimentados pelas economias centrais da Zona Euro, nomeadamente, a Alemanha e a França, 1ª e 2ª economias do grupo, com crescimentos de 0,7% e 0,5%, respectivamente. No conjunto, o crescimento económico da Zona Euro no segundo trimestre foi escasso, mas significativo: 0,3%, e surgiu como uma espécie de lufada de ar fresco que pode fazer antever a tão esperada retoma.

A Alemanha vinha de um primeiro trimestre de estagnação económica, com uma taxa de crescimento de 0,0%. A França acumulara dois trimestres consecutivos de recessão, gerando certo desencanto entre as suas populações. A economia portuguesa, nossa parceira crescente em muitos domínios, foi das que mais cresceu (1,1%), apontando para o fim de um penoso período de recessão de 2 anos.

O relançar das economias europeias não deve passar ao lado das nossas observações, já que somos parceiros de longa data e em diversas dimensões, seja nas exportações dos nossos (poucos) produtos de exportação, seja nas importações de bens de consumo final e em bens de equipamento. Não são, também, descuráveis as nossas relações financeiras com a Europa.

Uma vertente desse relacionamento que ganha cada vez mais relevo é o cruzamento de capitais (compra e venda de activos financeiros), muito em especial na economia portuguesa, estando os interesses de cidadãos angolanos a tornarem-se já muito notados.

Com a retoma, a actividade económica em Portugal ganhará, pela certa, um novo fôlego, sendo uma das mais previsíveis consequências a valorização de muitas das acções adquiridas por angolanos nas suas empresas.

Ainda assim, prevejo que o fluxo de emigrantes portugueses para Angola não venha a reduzir substancialmente, já porque a actual melhoria da actividade económica na Europa está a ser acompanhada por um aumento da sua competitividade. Uma competitividade que, por sua vez, resulta, fundamentalmente, de uma maior densidade do capital. Já vai, pois, longe a era em que o volume do emprego crescia na mesma proporção em que crescia o nível da económica. &