Apresentar uma economia com muito potencial e com números que perspectivam bons desempenhos é muito positivo, mas não nos deve iludir do imenso trabalho que ainda temos pela frente.

Angola está em crescimento, e são muito animadoras as perspectivas para este ano, assim como o facto de, nos últimos três anos, o sector não petrolífero ter vindo a ganhar terreno enquanto fonte de riqueza e de crescimento do PIB.

O país recebeu recentemente um rating satisfatório por parte das principais agências de notação e risco internacionais, o qual lhe confere um estatuto de alguma vulnerabilidade a condições empresariais, financeiras e económicas adversas, mas que atesta a sua capacidade para assumir os compromissos financeiros. Com esta avaliação, Angola apresenta melhores condições para se posicionar no mercado internacional, e é igualmente mais atractiva aos olhos dos investidores, tanto nacionais como estrangeiros.

Mas se o facto de atrair muito investimento é uma óptima notícia, a verdade é que a grande maioria das empresas e empresários nacionais ainda se vêem gregos para estabelecer os seus negócios e competirem com as empresas estrangeiras. Angola apresenta uma das mais elevadas taxas de actividade empreendedora, do mundo porém, não só a grande maioria destes negócios surge na forma de biscates que não duram muito, como os que ficam enfrentam várias restrições e custos de contexto.

Para além dos problemas decorrentes da escassa formação e conhecimentos técnicos sobre gestão, a generalidade dos empreendedores nacionais enfrentam ainda limitações no acesso ao crédito, na obtenção das necessárias licenças e alvarás, no acesso a incentivos fiscais e a programas de promoção do empresariado, na disponibilização de infra-estruturas físicas, nomeadamente a preços que não sejam discriminatórios para negócios pequenos, novos ou em crescimento, ou ainda ao nível da escassez de instituições públicas e privadas que forneçam informação sobre o mercado, estudos, serviços de apoio ou outras.

Este cenário, que de alguma forma se encontra dessincronizado com a pujança das potencialidades e oportunidades do país, deverá merecer, por parte das competentes entidades, uma reflexão cuidada sobre o papel do empreendedorismo na economia nacional e a melhor forma de desenvolver e apoiar uma cultura de criação de empresas e empresários nacionais.

É que só assim, os bons números que actualmente vão surgindo sobre a economia angolana poderão ganhar sustentabilidade e transmitir-se para as gerações futuras, assegurando que o que estamos a criar hoje será capitalizado para promover a riqueza futura e a garantia de que o desenvolvimento e crescimento económico serão um processo continuando e ascendente.