Gambusia Holbrooki é o nome científico do peixinho responsável pela eliminação da malária no Sul da Europa no início do século XX. É nativo do Este e Sul dos Estados Unidos, tem apenas 3,5 centímetros e foi introduzido nessa região europeia para combater os mosquitos portadores de malária, uma doença que afectava seriamente todo o Sul de Portugal, Espanha, França e Itália. Diga-se que a região vivia uma séria endemia.

 
Importado da Carolina do Norte, o “peixe-mosquito” sofreu uma pequena aclimatização em Cáceres, Sul de Espanha, e foi espalhado em toda a bacia do rio Tejo, rios, lagos, pateiras, pântanos, pauis, lagoas e charcos dos países referidos. Nas lagoas de Mira, na região alentejana de Portugal, foram também criados viveiros desse peixe que se adapta muito bem a ambientes hostis e condições adversas, como temperaturas elevadas e águas pouco oxigenadas, como as que se verificam em Angola.
Dizem os estudos que a Gambusia é extremamente voraz. Estes peixinhos são canibais, capazes de predar a própria descendência e reproduzem-se rapidamente (quatro vezes por ano).
Os ovos são fecundados no ventre materno e as suas crias nascem não completamente desenvolvidas, mas já com alguma autonomia, conseguindo logo alimentar-se, nadar e comer larvas, principalmente dos mosquitos portadores de esporozoítos infectantes da malária do género Plasmodium. O ritmo com que o fazem é assustador. Acresça-se que o seu tamanho reduzido faz com que não tenha interesse para a alimentação do ser humano.
A experiência de terceiros tem maior importância quando observada à luz dos resultados que tenha produzido. Não tendo uma ideia do valor de uma operação de transladação da Gambusia Holbrooki para o nosso ambiente, acho, contudo, que valeria a pena fazer-se esse exercício, em termos de saúde pública, correlacionando-o com o custo da importação dos anti-maláricos e da hospitalização dos infectados; valor da imobilização dos doentes e reflexos na vida laboral, estudantil, não considerando já a significativa perda de vidas. Não há valor que o dimensione. Mas um facto temos de considerar: no sul da Europa deu resultado!

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