Embora seja responsável por mais de 65% das exportações petrolíferas de Angola, actualmente a província de Cabinda enfrenta inúmeros problemas sociais, entre eles o abastecimento de electricidade às populações. Entretanto, e apesar de não significar muito em termos de criação de postos de trabalho, a região vai beneficiar de uma série de projectos da petrolífera Pluspetrol, incluindo a produção de gás, que abastecerá a Turbina do Malembo, responsável pelo fornecimento de energia às cidade de Cabinda e Vila de Landana.
 

De acordo com estudos feitos pela petrolífera Pluspetrol, que deu início no final de 2013 à produção de petróleo bruto e gás onshore em Cabinda, uso do gás em substituição do gasóleo para a produção de energia é muito mais económico, daí que, depois a companhia vai explorar este bem e fornecê-lo à Turbina do Malembo que abastece energias às cidades de Cabinda e Vila de Landana.

O director-geral de operações da Pluspetrol adiantou que já existe um projecto em carteira, sendo que os estudos da empresa asseguram a existência de gás. “Vamos produzir este bem porque podemos reduzir os custos ao aplicarmos o gás em substituição do gasóleo”, afirmando, destacando ser preocupação da empresa atender a questões de responsabilidade social das regiões onde operam.

No mesmo diapasão, Hermínio Joaquim Escócios, embaixador de Angola na Argentina, que também esteve na inauguração do campo petrolífero, defendeu que o país está numa fase que requer grandes investimentos, sendo que toda a iniciativa estrangeira neste sentido é bem-vinda, porém, “é necessário que tais investimentos se reflictam no dia-a-dia de cada cidadão nacional”.

Por sua vez, a governadora de Cabinda, Aldina da Lomba, avançou que a exploração de petróleo onshore reforçará a capacidade financeira da província, e esse incremento facilitará as acções governativas que visam dar solução aos muitos problemas preocupantes que assolam a região.

“O governo da província vai prestar todo apoio à Pluspetrol para o desenvolvimento das suas actividades, pois acreditamos no projecto e que ele vai ajudar-nos na resolução dos grandes problemas sociais que se tem enfrentado”, afirmou.

Petróleo gera pouco emprego

Aldina da Lomba refere que, apesar do seu peso financeiro e produtivo, o sector petrolífero é dos que menos emprega na província, sendo que são os sectores primários e terciários, nomeadamente a agro-pecuária, pesca, comércio e serviços, que constituem as maiores ofertas de emprego e fontes de negócios para a população cabindense.

Por outro lado, a governadora avança que há substanciais indícios de surgimento de iniciativas industriais de médio porte no ramo alimentar, bebidas e materiais de construção.

A governante lembra que Cabinda tem um plano que visa impulsionar o seu desenvolvimento até 2017, e que estabelece 4 grandes objectivos fundamentais, entre eles o melhoramento da capacidade institucional, as infra-estruturas básicas urbanas, a produção e a economia.

“No final do ano passado, foram inauguradas pelo Vice-Presidente da República as fábricas de detergentes, sabão e sabonete “SAMA” e a fábrica de tubos PVC, dois importantes empreendimentos industriais de iniciativa privada, na comuna de Malembo no município de Cabinda”, recorda, acrescentando que a província terá o Pólo Industrial do Futila como uma alavanca para o sector industrial, estando o início das obras marcado para breve.

Entretanto, para além do desemprego, Cabinda enfrenta igualmente o problema da imigração ilegal. “A nossa província está a ser vítima de uma invasão estrangeira silenciosa e a entrada não autorizada e descontrolada de ilegais pode criar instabilidade para o mercado, na medida em que a maioria dos ilegais pratica actividades económicas informais”, advertiu.

Ainda assim, Cabinda vive um outro problema relacionado com o Porto de Águas profundas, sendo que o seu abastecimento em produtos importados depende totalmente do Porto de Ponta Negra, facto que encarece a vida das populações.

Enquanto isso, o povo de Cabinda vive na esperança de ver o próximo ano o novo Porto da província construído, de modo a contribuir no crescimento do tecido empresarial e na estabilidade económica.

De salientar que a primeira pedra para a construção do referido Porto foi lançada na localidade do Caio Litoral, pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, em Agosto de 2012 e o projecto consta do PIP/014 do Ministério dos Transportes.

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