O plano do governo angolano para 2010-2011 prevê um maior contributo do sector não petrolífero para o PIB nacional, mantendo uma tendência verificada nos últimos três anos.

O plano do governo angolano para 2010-2011 prevê um maior contributo do sector não petrolífero para o PIB nacional, mantendo uma tendência verificada nos últimos três anos.

O sector não petrolífero angolano, que já representa 58% do Produto Interno Bruto (PIB), poderá verificar um crescimento na ordem dos 10,5%, o que vai contribuir de forma sustentável para o aumento dos níveis do emprego, segundo o Plano Nacional 2010-2011 proposto pelo governo e aprovado pela Assembleia Nacional.

Falando aos deputados na sessão que aprovou o referido programa, o ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, considerou que o crescimento acentuado do sector não petrolífero “é um indicador positivo por empregar um maior número de pessoas e contribuir mais para a melhoria das condições de vida dos cidadãos”.

É um facto que, a partir de 2006, os sectores da agricultura, da indústria transformadora, da construção civil, dos serviços mercantis e da agro-indústria passaram a contribuir significativamente para o crescimento do segmento não petrolífero, referiu Manuel Nunes Júnior.

“Desde 2006, o crescimento do sector não petrolífero tem sido superior ao sector petrolífero. Em 2007, o crescimento do sector petrolífero foi de 20,4%, e o crescimento do não petrolífero foi de 25,7%. Em 2008 foi de 12,3% e de 15%, respectivamente. Em 2009 foi de 3,6% negativos e de 5,2%. Para 2010 prevemos um crescimento de 3,4% e de 10,5%”, disse o governante.

Actualmente, o sector petrolífero representa 42% do PIB e prevê-se que 2010 será o ano da retoma do crescimento da economia angolana, o que significa uma mudança estrutural importante para o país.

Segundo Manuel Nunes Júnior, Angola deu passos que permitiram fazer face, de forma adequada, aos reflexos da crise económica e financeira mundial que se verificaram, fundamentalmente, no primeiro trimestre do ano passado, com a queda brusca das receitas petrolíferas e diamantíferas do país.

O preço do petróleo baixou de cerca de 180 dólares norte-americanos (USD) para perto de 30 USD, provocando uma redução do volume de divisas cambiais e a consequente desvalorização da moeda nacional, devido também a tentativas dos cidadãos em converter os seus activos em moeda estrangeira, reconheceu o ministro de Estado e da Coordenação Económica.

As medidas tomadas pelo governo, segundo Manuel Nunes Júnior, permitiram estabilizar as reservas do país, evitando a sua queda até um nível insustentável, e a consequente desvalorização descontrolada da moeda nacional. O controlo da especulação monetária e comercial evitou a instabilidade dos mercados e um surto de agitação social.
 

Orçamento do Estado

Entretanto, o projecto do Orçamento Geral do Estado (OGE)  para 2010, também aprovado pela Assembleia Nacional na mesma sessão, comporta receitas em kwanzas estimadas em 3 092 272 166 646 00 (três triliões, noventa e dois biliões, duzentos e setenta e dois milhões, cento e sessenta e seis mil, seiscentos e quarenta e seis) e despesas fixadas em igual montante para o mesmo período.

Ainda para este ano, o governo prevê uma taxa de inflação anual de 13% e uma taxa de câmbio média de 88 kwanzas face ao dólar norte-americano (USD). O preço médio fiscal de exportação do petróleo bruto é de 58 USD por barril.