Apesar de algumas dificuldades que o Dondo enfrenta actualmente, como as mais de 800 crianças fora do sistema de ensino e médicos que se desdobram para atender em três centros de saúde simultaneamente, a comuna sede do município de Cambambe está com cada vez melhor aspecto. As ruas da cidade estão todas asfaltadas, há mais espaços verdes e já foram renovadas e construídas novas escolas e centros de saúde.

No capítulo económico, os empresários contactados pela E&M garantem que a região oferece um bom ambiente de negócio e apresenta-se como um manancial económico a ter em conta nos próximos tempos, revelando-se acolhedor para novos investimentos em todos os sectores.

O administrador municipal de Cambambe, Francisco Diogo, indica que, caso alguém queira investir no Dondo, os sectores da agricultura e da agro-indústria são prioridades, uma vez que a região possui um grande potencial, mas só se pratica agricultura de subsistência.


O Município de Cambambe, província do Kwanza Norte, cuja sede é a comuna do Dondo, vê o seu turismo em ascensão. O complexo turístico Katita Palace foi ampliado para 40 quartos, dos 14 iniciais, e ainda serão construídas 7 casas familiares no complexo, duas das quais já estão prontas para serem arrendadas, segundo garante o proprietário do empreendimento, Cristo Proença. Avaliado em mais de dois milhões de dólares, o projecto emprega 30 trabalhadores e conta com um restaurante, duas piscinas e uma zona verde para relaxamento.

Além deste complexo, um novo hotel de quatro estrelas que abrirá as portas em breve, a unidade hoteleira já foi erguida, aguardando apenas pelo apetrechamento e a sua respectiva inauguração.

Paralelamente ao sector do turismo, no cômputo geral, a actividade empresarial no Dondo é cada vez mais acentuada. O comércio a retalho predomina, mas também existem e estão a ser erguidas e recuperadas grandes unidades industriais.

O responsável da empresa Icola Comercial, José dos Santos, há mais de 10 anos distribuidor de produtos alimentares e bebidas a grosso no Dondo, garante que o ambiente de negócio no Dondo é satisfatório e rentável, embora se mostre descontente com a concorrência dos estrangeiros retalhistas e com a falta de fiscalização rigorosa face aos informais.

Jú dos Santos, como é tratado, tem investido cerca de 1,8 milhões de dólares em mercadorias e imobilizados corpóreos, com destaque para um armazém de 1 519 metros quadrados, tendo gerado emprego a 23 pessoas.

Gigantes industriais em recuperação

O administrador municipal de Cambambe, Francisco Manuel Diogo, avança que decorrem as obras de recuperação da Satec, indústria têxtil, que, para além de processar algodão, estará capacitada para produzir tecidos e vestuários.

Já a indústria vinícola, em particular, e a agro-industrial, em geral, aguarda por grupos empresariais fortes para as alavancar, visto que na época colonial, a comuna do Dondo era uma das grandes produtoras de vinhos do país.

Quanto à EKA, indústria cervejeira instalada no Dondo há quase 40 anos, está a funcionar em pleno, produzindo actualmente mais de 50 mil hectolitros por mês e garante emprego a 400 pessoas. Até hoje a empresa já investiu aproximadamente 40 milhões de dólares na recuperação e modernização da indústria.

O chefe do departamento de Fabricação da EKA, Mateus Matumona, assegura que o Dondo apresenta um bom ambiente de negócio, pois configura-se como uma zona estratégica por possuir água abundante através do rio Kwanza, energia da barragem de Cambambe e por estar situado perto de dois grandes mercados: o litoral e o sul do país.

Já o chefe de produção e manutenção eléctrica da barragem de Cambambe, Campos Abílio, assegura que, com a substituição dos equipamentos que remontam de 1963, a barragem está a funcionar em pleno, gerando 180 megawatts da capacidade instalada.

Contudo, segundo revela, decorrem obras de alteamento da barragem, que vai possibilitar aumentar e gerir a albufeira, e a construção de uma nova barragem, Cambambe II, que terá uma capacidade de gerar mais 700 megawatts. Acresce que, com o alteamento da barragem, automaticamente aumenta também a capacidade de gerar mais energia. Com a conclusão de Cambambe II, a expectativa é produzir-se 960 megawatts.

Campos Abílio, acrescenta ainda que a barragem de Cambambe contém actualmente mais de 200 funcionários, que garantem o funcionamento da infra-estrutura 24 horas por dia.

Saiba mais lendo a edição impressa de Agosto, nº119.
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