A experiência partilhada no XV Encontro Nacional das Comunidades Rurais, que decorreu em Kalandula, província de Malange, mobilizou representantes de oito províncias, sob o lema “Construindo Caminhos para o Desenvolvimento Local em Angola”. A iniciativa da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) revelou que com o suporte técnico da organização estão a ser postas em prática muitas iniciativas para o bem das comunidades.

A comunidade de Chicuma, no Huambo, destaca-se por ter implementado a Caixa Comunitária, uma espécie de banco local que concede “crédito informal” a cerca de 20 mil famílias, mediante a garantia de idoneidade das autoridades tradicionais locais. Porém, os camponeses locais solicitam ao Executivo a criação de projectos mais abrangentes de escoamento de produtos do campo, além do Programa de Aquisição de Produtos Agrícolas (PAPAGRO).

Os camponeses presentes no XV encontro das comunidades locais destacaram o papel que a ADRA tem desempenhado para a capacitação e como tem servido de elo entre as entidades financiadoras e os produtores, visando o desenvolvimento das áreas rurais.
De acordo com o seu representante, Graciano Itale, por exemplo, os camponeses da província do Cunene desconheciam a utilidade da mandioca, no entanto passaram a cultivá-la após a realização de um encontro de troca de experiências e informação entre os camponeses da Huíla e do Cunene, durante o qual aprenderam as técnicas necessárias.

Segundo destaca o representante dos camponeses do Cunene, a ADRA ajudou a instalar as escolas do campo, um fórum de troca de ideias entre os camponeses para a identificação de possíveis pragas e o busca de soluções para o tratamento. “Depois da colheita voltamos a reunir-nos para fazer a análise económica, avaliar os gastos de produção e a rentabilidade de cada camponês. Participam deste processo, desde a produção até à colheita, 703 pessoas”, informa.

De acordo com o director-geral da ADRA, Belarmino Jelembi, através dos seus parceiros e financiadores, esta organização não-governamental tem vindo a assumir a responsabilidade de ouvir as comunidades rurais nos últimos 15 anos, no entanto, “pensamos que, de agora em diante, as administrações municipais já podem assegurar este processo, sendo que a ADRA continuará a fazer o seu papel no processo de desenvolvimento das nossas comunidades”. Recomenda ainda que os encontros anuais das comunidades locais devem ser defendidos e assegurados pelas administrações municipais.

Participaram do evento representantes municipais de oito províncias, incluindo associações, cooperativas, núcleos, uniões e fóruns de concertação. Mas antes foram realizados 17 encontros municipais e cinco provinciais que mobilizaram perto de mil pessoas provenientes das várias comunas e aldeias.

Resultados já são visíveis
Os camponeses do município de Cacula, província da Huíla, além do cultivo por iniciativa própria, que depois contou com o suporte técnico da ADRA, criaram um centro de conservação e transformação de produtos agrícolas. Aqui é produzida a farinha de mandioca, de milho, de batata e sumos, de acordo com José Colela, representante da comunidade local.

Do mesmo modo, após várias sessões de formação promovidas pela organização, os agricultores da comuna de Chicuma, município da Ganda, província do Huambo, organizaram-se em 25 associações agrícolas num total de 500 camponeses. Segundo o responsável, com a ajuda da ADRA, obtiveram um financiamento de 1,3 milhões de kwanzas, que transformaram em capital inicial para a Caixa Comunitária, além de terem recebido 36 cabeças de gado bovino e 300 animais de pequeno porte, como ovelhas, cabras e porcos. A ADRA também financiou e ajudou a construir um armazém para conservar os produtos resultantes da colheita.

O responsável pelo Núcleo de Desenvolvimento das Associações da Chicuma (NDACHI) e das Associações da Ganda (UAG), Rafael Tiago, assegura que, a par da pecuária, dedicam-se essencialmente à produção de cereais e tubérculos, cujo principal canal de escoamento é a cidade do Huambo.

Já para os camponeses do Bailundo, na mesma província, além de distribuir sementes, a ADRA disponibilizou um crédito de 500 mil kwanzas a 93 camponeses que integram as 8 cooperativas locais, valor a ser reembolsado de três em três meses.

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