Empresário envolvido em vários ramos de actividade, o benguelense Adérito Areias revela que o sector pesqueiro angolano conheceu um impulso muito forte graças aos investimentos feitos pelo governo, especialmente na pesca ao cerco semi-industrial e na congelação.

“Eu considero que Benguela já é, hoje, o principal centro pesqueiro do país, tendo em conta os investimentos nas áreas da captura e da transformação. Podemos dizer, portanto, que somos uma potência”, argumentou.

Confrontado com a necessidade de incentivos, muito defendida por industriais do ramo, Adérito Areias recorda que, apesar dos ganhos, a província de Benguela deve pensar no aumento da frota pesqueira e em outros tipos de actividade ligada à indústria transformadora.

“Temos de aproveitar todo o peixe e, como se pode observar, temos de arrancar com as conservas. Se assim for, teremos um desenvolvimento muito maior”, frisou o empresário, convicto que o Fundo de Apoio à Pesca (FADEPA), pelas marcas positivas que deixou, continua a ser a principal referência quando em causa estiveram os incentivos.

Adérito Areias explica, por outro, que muitas empresas deixaram de produzir o peixe seco, porque os desperdícios dali decorrentes ditaram as regras de jogo num mercado que tem conhecido alguma instabilidade em termos de captura.

“Quando as capturas diminuem, as empresas, é claro, avançam para o peixe congelado, embora o seco tenha a sua importância. É uma questão imposta pela dinâmica de desenvolvimento”, justifica.

A produção de sal, aparentemente sem grande expressão quando se analisa o sector pesqueiro, não podia estar ausente das preocupações de Adérito Areias. O empresário revelou que as perspectivas apontam para um total de 250 mil toneladas até 2012.

“São números bastante bonitos, elucidativos da rentabilidade de uma potência”, prosseguiu o proprietário das Salinas Calombolo. Espera-se que a produção deste ano seja de 50 mil toneladas.

“Em relação ao sal e outros produtos, não há problemas em termos de escoamento, uma vez que o esforço do governo na reabilitação de estradas solucionou um velho problema”, sublinhou.

De acordo com Adérito Areias, o problema que deve ser vencido está ligado à falta de mercado para um produto de qualidade. É que os grandes centros comerciais, entre os quais a rede Nosso Super, continuam a importar o sal, esquecendo-se da produção local, por sinal mais barato.

“A solução é continuarmos a lutar, mostrando que Benguela permanece na vanguarda do crescimento e desenvolvimento deste país”, propõe o empresário.